
A Dívida Pública Federal (DPF) registrou queda de 2,34% em março, passando de R$ 8,841 trilhões em fevereiro para R$ 8,633 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O recuo foi impulsionado principalmente pelo alto volume de vencimentos de títulos atrelados à taxa básica de juros, a Taxa Selic.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), que representa a maior parte do endividamento, caiu 2,17%, totalizando R$ 8,302 trilhões. No período, o governo resgatou R$ 302,32 bilhões a mais em títulos do que emitiu, movimento que reduziu o estoque da dívida. Ainda assim, a apropriação de R$ 93,01 bilhões em juros — decorrente da Selic elevada, atualmente em 14,75% ao ano — limitou uma queda maior.
Já a dívida externa (DPFe) apresentou leve alta de 0,61%, chegando a R$ 331,64 bilhões. O avanço foi influenciado pela valorização do dólar no período e pela contratação de empréstimos com organismos internacionais.
O chamado “colchão da dívida”, reserva usada para garantir pagamentos em momentos de instabilidade, caiu de R$ 1,192 trilhão para R$ 885 bilhões. A redução está ligada ao resgate líquido de títulos e à recompra de papéis realizada no início das tensões no Oriente Médio. Atualmente, essa reserva cobre cerca de 5,7 meses de vencimentos.
Na composição da dívida, houve redução na participação de títulos atrelados à Selic, que passaram de 49,1% para 47,71%. Em contrapartida, aumentaram os papéis vinculados à inflação (26,67%) e os prefixados (21,80%). Títulos cambiais representam 3,83% do total.
O prazo médio da dívida subiu de 4 para 4,1 anos, indicando leve melhora na percepção de risco por parte dos investidores. Entre os detentores da dívida interna, instituições financeiras lideram com 31,47%, seguidas por fundos de pensão (23%) e fundos de investimento (20,86%). Investidores estrangeiros respondem por 10,7% do total.
De acordo com o Plano Anual de Financiamento, a expectativa é que a DPF encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.