
As vendas de títulos públicos a pessoas físicas pelo Tesouro Direto bateram recorde histórico em março, segundo dados do Tesouro Nacional. No período, foram comercializados R$ 14,79 bilhões em papéis, maior volume mensal desde a criação do programa, em 2002.
O resultado representa alta de 79,2% em relação a fevereiro e de 26,5% na comparação com março do ano passado. O principal fator foi o vencimento de R$ 7,07 bilhões em títulos atrelados à Taxa Selic, levando investidores a reinvestirem em papéis semelhantes.
Os títulos vinculados à Selic lideraram a preferência, respondendo por 52,7% das vendas. Já os papéis atrelados à inflação, medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representaram 24%. Os prefixados somaram 15,1%.
Entre os produtos, o Tesouro Renda+ respondeu por 6,5% das vendas, enquanto o Tesouro Educa+ teve participação de 1,6%. O cenário de juros elevados — atualmente em 14,75% ao ano — mantém a atratividade dos títulos públicos, especialmente os pós-fixados.
O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 234,42 bilhões ao fim de março, alta de 3,29% no mês e de 41,99% em 12 meses. O crescimento reflete tanto a correção pelos juros quanto o saldo positivo entre vendas e resgates, que foi de R$ 3,78 bilhões.
O número de investidores também avançou. Foram 288.041 novos participantes em março, totalizando mais de 35 milhões de cadastrados. Já o número de investidores ativos chegou a 3,4 milhões, com crescimento de 15,97% em um ano.
A maior parte das aplicações foi de pequeno valor: 73% das operações ficaram abaixo de R$ 5 mil, sendo que 45,6% não ultrapassaram R$ 1 mil. O valor médio por aplicação foi de R$ 12.083,06.
Os investidores têm priorizado títulos de curto prazo. Papéis com vencimento em até cinco anos representaram 58,2% das vendas, enquanto títulos entre cinco e dez anos e acima de dez anos corresponderam a 20,9% cada.
Criado para democratizar o acesso aos títulos públicos, o Tesouro Direto permite que pessoas físicas invistam diretamente pela internet. Os recursos captados são utilizados pelo governo para financiar a dívida pública e custear suas atividades, com retorno ao investidor conforme regras definidas na emissão dos papéis.