
A arrecadação de impostos e contribuições do governo federal atingiu R$ 229,2 bilhões em março de 2026, informou a Receita Federal do Brasil nesta terça-feira (28). O valor é o maior já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, e representa crescimento real de 4,99% em relação a março de 2025, já descontada a inflação.
No acumulado do primeiro trimestre, também houve recorde. Entre janeiro e março, a arrecadação somou R$ 777,12 bilhões, com alta real de 4,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Entre os destaques, está o desempenho do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que arrecadou R$ 8,3 bilhões apenas em março — alta real de 50,06% no mês e de 44,45% no acumulado do ano.
O crescimento da arrecadação foi impulsionado por uma combinação de fatores. Segundo o Fisco, houve aumento nas contribuições para a Previdência Social, reflexo da expansão do emprego formal e da massa salarial. Também contribuíram o desempenho do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), tributos ligados ao consumo e aos serviços, além da alta do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital.
O avanço expressivo do IOF está relacionado a mudanças nas regras adotadas em 2025, que elevaram a tributação sobre operações de crédito e câmbio. Além disso, o resultado reflete o crescimento da atividade econômica e ajustes tributários recentes, como reoneração de setores e aumento de impostos sobre operações financeiras e importações.
A arrecadação tem papel central no equilíbrio das contas públicas. Para 2026, a meta do governo é alcançar um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento das receitas contribui para reduzir o déficit, embora projeções ainda indiquem risco de resultado negativo ao fim do ano.
Outro fator que começa a aparecer nos números é a tributação de dividendos. Em março, foram arrecadados cerca de R$ 308 milhões com a medida, que passou a vigorar em 2026 e prevê a cobrança de 10% sobre valores acima de R$ 50 mil recebidos por pessoas físicas.
Apesar de ainda representar uma parcela pequena da arrecadação total, a expectativa é que essa fonte de receita ganhe relevância nos próximos anos, reforçando o caixa do governo federal.